BB (BBAS3) na mira: Os riscos ocultos por trás do crédito rural, segundo a Legacy
Em relatório, a casa aponta que os resultados decepcionantes da instituição não são apenas reflexo da conjuntura econômica.

Nos últimos meses, a gestora Legacy Capital intensificou suas análises sobre o mercado de crédito agrícola brasileiro, e os sinais detectados nos balanços do Banco do Brasil (BBAS3) acenderam o sinal de alerta.
Em uma carta recente, a casa aponta que os resultados decepcionantes da instituição não são apenas reflexo da conjuntura econômica, mas também de problemas estruturais em seu modelo de concessão de crédito ao agronegócio.
A seguir, destrinchamos os principais pontos levantados pela Legacy Capital para entender por que a instituição decidiu manter uma posição vendida nas ações do Banco do Brasil — e por que o mercado ainda pode estar enxergando esse risco com lentes cor-de-rosa.
O que mudou no crédito agro?
Segundo a Legacy, o Banco do Brasil perdeu espaço no mercado de crédito agrícola nos últimos anos. Isso se deve à redução do crédito subsidiado e à entrada de novos players privados mais ágeis e bem posicionados.
Ao mesmo tempo, os produtores rurais enfrentam hoje um cenário mais desafiador: aumento do endividamento, piora no perfil dos tomadores e alta nos pedidos de recuperação judicial.
Nesse contexto, o modelo de garantia adotado pelo banco — baseado principalmente no penhor da safra — se mostrou menos eficaz.
A concorrência privada, por sua vez, opera majoritariamente com alienação fiduciária da terra, que garante recuperação mais rápida e segura em caso de inadimplência.
Números em deterioração
O primeiro trimestre de 2025 já trouxe resultados aquém das expectativas. Mas o pior, segundo a Legacy, ainda está por vir.
A inadimplência de curto prazo (NPL 15-90) dobrou entre março e maio. Isso indica que os balanços de junho e julho devem refletir uma piora ainda mais acentuada à medida que os créditos migram para estágios mais críticos de provisão — do estágio 1 ao estágio 2 e, posteriormente, ao estágio 3.
O balancete de abril reforça essa visão: o lucro de R$ 1,7 bilhão no mês projeta um resultado trimestral abaixo de R$ 5 bilhões, aquém do consenso do mercado.
Um dos dados mais preocupantes destacados pela Legacy é o crescimento da carteira agro prorrogada — de 4% para 14% do total, o equivalente a cerca de R$ 50 bilhões. Isso representa 25% do patrimônio líquido do banco.
Ainda que esses créditos estejam classificados como estágio 1, a Legacy avalia que é alta a chance de rebaixamento para estágio 3, caso os produtores não cumpram os pagamentos renegociados.
Riscos internos ofuscados pelo discurso oficial
A Legacy critica também o discurso da administração do Banco do Brasil, que tem atribuído a queda de desempenho a fatores externos, como a crise no setor agropecuário e a Resolução 4966 do Banco Central. Apesar de relevantes, esses fatores não explicam toda a deterioração.
Para a gestora, o problema está, em grande parte, no interior do banco — desde a estratégia de concessão de crédito até a forma de mensurar e provisionar riscos.
Guidance suspenso e incertezas futuras
Outro ponto que gerou insegurança foi a retirada do guidance de lucro para 2025, feita pouco tempo após sua divulgação.
Para a Legacy, isso demonstra que a instituição ainda não conseguiu dimensionar com clareza a gravidade da situação.
Mais preocupante ainda foi a manutenção da projeção de crescimento da carteira de crédito — inclusive no agro — apesar da alta incerteza no segmento.
E os dividendos?
A tese de investimento no Banco do Brasil até pouco tempo atrás era sustentada por três pilares: crescimento constante, dividendos robustos (entre 18% e 20%) e a possibilidade de reavaliação positiva das ações com melhora no cenário macroeconômico.
Agora, a Legacy alerta que esses fundamentos estão comprometidos. Com o aumento das provisões, a lucratividade deve permanecer pressionada, e a distribuição de dividendos pode cair pela metade — ou até mais.
Com base em todos esses fatores, a Legacy Capital mantém sua posição short nas ações do Banco do Brasil.
A decisão reflete a percepção de que o mercado ainda não precificou adequadamente os riscos embutidos na carteira agro e que os próximos trimestres devem trazer desafios adicionais para a instituição.

BBAS3
Banco do BrasilR$ 20,62
-22,78 %
5,48 %
9.21%
7,45
0.65

Ações do BB (BBAS3) ameaçam desabar com “alerta vermelho”, mas fecham no azul
O movimento reflete a leitura do mercado sobre os dados do Relatório de Crédito de julho, que trouxeram sinais mistos para os investidores.

Alerta para os bancos: Inadimplência atinge maior nível em 8 anos
Com juros altos, taxa de inadimplência alcançou 5,2% no Brasil em julho, segundo o BC.

LCAs e LCIs: Renda fixa isenta paga até 14% ao ano no curto prazo
Ferramenta do Investidor10 acompanha a rentabilidade dos investimentos que financiam o agronegócio e o mercado imobiliário.

BB (BBAS3) despenca na Bolsa após pedir investigação da PF por “fake news”
Em meio à volatilidade, o banco acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) contra o que classificou como "publicações inverídicas e maliciosas".

Haddad culpa opositores de Lula por ataques ao Banco do Brasil (BBAS3)
Fala do ministro da Fazenda acontece logo após a estatal tomar medidas judicias contra desinformação nas redes sociais.

Banco do Brasil (BBAS3) corre risco de punição no Brasil?
A instituição decidiu bloquear o cartão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, devido às sanções aplicadas com base na Lei Magnitsky dos Estados Unidos.

Filas para sacar dinheiro? Banco do Brasil (BBAS3) aciona AGU para punir falácia nas redes sociais
Estatal está ciente de perfis nas redes sociais que promovem pânico na população, induzindo a uma corrida por saques nas contas bancárias.

Não é o Banco do Brasil (BBAS3): Saiba qual bancão cai mais no curto prazo
Instituição financeira privada teve maior perda em seu valor de mercado na semana do que a estatal.